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riscos_e_rabiscos

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Um Jogo de Sentimentos

Uma rapariga conhece um rapaz. Sentimos imediatamente um agrado mútuo, uma empatia magnética. Já não nos conseguimos libertar daquela pessoa e, sem dar-mos por isso, o nosso pensamento foge-nos sempre para ali, o nosso discurso está cheio de referências a ele – tudo serve de pretexto para nos lembrar-mos de pormenores dele – e insuflamos o peito ao pronunciarmos o seu nome.
 
Só pensamos em formas de desfrutar da companhia um do outro… Longas conversas, gargalhadas descontraídas e, finalmente, o tão desejado toque de lábios. É o contacto entre dois mundos, uma explosão de estrelas, o surgimento de um novo planeta: o do Amor.
E já não podemos conceber o mundo sem ele – ele é o nosso mundo.
É a felicidade suprema pois somos o ponto fulcral da atenção dele. Somos surpreendidas por flores, telefonemas tolos, SMS carinhosas, bilhetinhos amorosos e palavras que nunca pensámos ouvir.
 
É então que algo corre mal e nós nem sabemos explicar qual o motivo. Há atitudes frias e inexplicáveis, deixamos de nos ver todos os dias e começamos a sentir borboletas no estômago.
Ficamos deprimidas e confusas. As coisas corriam de feição, o que se terá passado?
A indiferença dele corrói-nos, a falta de notícias destrói-nos. Mas o que estará a acontecer?
Tentamos a conversa mas não obtemos respostas. Revemos toda a relação à procura do que fizemos errado e… nada!
Ausência total do seu contacto. Nós também não o procuramos pois estamos tão desoladas que pensamos que ele não quer saber de nós. Choramos, gritamos, desabafamos. É o fim…
 
O tempo passa e já perdemos toda e qualquer esperança de o voltar a ver. As trevas invadiram o nosso mundo e é o vazio total. Perdemos a vontade de viver e de lutar.
O alento para estar com os amigos ou trabalhar é nulo. Limitamo-nos a arrastar-nos pela vida.
 
Lentamente, começamos a ganhar força e ânimo. Reerguemo-nos e engrenamos na rotina da nossa vida esperando recuperar algum entusiasmo.
 
É nessa altura que recebemos um telefonema dele a pedir para nos ver. Pronto! Volta tudo ao princípio. Quando nós já estávamos mentalizadas de que ele já não gostava de nós, que a relação tinha terminado e que não o voltaríamos a ver, eis que uma centelha de esperança se acende de novo. O nosso mundo volta a girar ao contrário.
 
Mas a incerteza e a insegurança invade-nos. Não sabemos o que significa aquele telefonema. Será uma esperança vã de um reatamento? Será que ele só nos vê como uma “amiga”? Será que fomos apenas mais uma na sua vida? Afinal o que significamos para ele, se é que significamos alguma coisa, neste momento?
 
Aceitamos sair com ele, ou não? Provavelmente sim. O coração fala mais alto que a razão e decidimos arriscar para ver o que vai acontecer. Nós gostamos dele e temos a esperança que tudo volte ao princípio.
Ou provavelmente não. Sofremos muito, não queremos voltar a passar pelo mesmo e decidimos seguir em frente.
 
“Quando nos sentimos dispostos a amar queremos que nos amem, sem pensar que essa exigência afasta o génio do amor.”
 
                                                                      Bettina Brentano